Monday, 22 March 2010

PADI Drift Diver : A Especialidade que lhe confere uma segurança Extra


A ADNG DIVING, pela primeira vez no Norte do País apostou fortemente num curso de especialidade PADI por forma a dar aos potenciais alunos a possibilidade de consolidarem conhecimentos que garantam a sua segurança enquanto mergulhadores assim como a segurança daqueles que fazem parte do grupo com quem mergulham.

Apesar de Portugal não ser conhecido pelas suas fortes correntes, (felizmente), as técnicas usadas nesta especialidade garantem que em caso de necessidade, todas as Skills (técnicas) serão executadas correctamente.

Por outro lado, se até é daquelas pessoas que costuma viajar frequentemente em muitos destinos o mergulho em corrente "drift" é pratica comum; caso não tenha esta especialidade se o centro de mergulho fôr cumpridor com as normas, sem esta certificação certamente ficará limitado(a) aos mergulhos nas "pocinhas", ou então, caso facilitem um pouco mais, poderá ver-se numa situação para a qual não está habituado(a), não teve treino, e no mínimo resultará num stress e consumo de ar abismais.




A aplicação geral desta especialidade compreende a utilização de itens que são e deverão ser usados na prática de mergulho em todo os locais do mundo, por dois motivos de grande importância:


1)Segurança
2)A sua própria auto-confiança;
no sentido em que tem a noção exacta do treino 
que fez,e ,está avontade para utilizar esse equipamento.


No caso concreto, falamos do manuseio de itens de equipamento como:
bóia de patamar (SMB), carretos e spools.
Inglês [PDF]

Uma vez que as condições metereológicas e de Mar para as saídas de mergulho desta especialidade não foram as ideais localmente, a segunda opção por seu lado, tinha sido Berlengas uma vez que em certos spots se poderá fazer um mergulho em corrente/deriva facilmente com o somatório da qualidade da logística disponível.

Porém, Neptuno e S. Pedro ainda não tinham feito as pazes relativamente a Portugal, e como alternativa recorremos a Vigo, já que em certos pontos da Ria é possível conseguir caudais com cerca de 3 nós de corrente até mais.

O primeiro mergulho, baseou-se no mergulho em deriva, onde é seleccionado um "lider do grupo" que empunha um carreto ou cabo associado a uma bóia de superficie;

objectivo:
o barqueiro é capaz de seguir o grupo facilmente uma vez que nunca perde de vista a sinalização do grupo.

Todos foram "planando" pelo fundo da Ria, ao sabor da corrente, disfrutando a paisagem subaquática sem qualquer esforço extra e com uma considerável melhoria em termos de esforço e consumo de ar; porquê nadar contra a corrente, se podemos tirar proveito dela?



O segundo mergulho, já foi de uma forma diferente; todo o grupo, entrou para a água em simultâneo (como acontece em locais em que a corrente é bastante forte, e a embarcação não é sequer fundeada.
Todo o grupo salta de imediato e dirige-se para o fundo rapidamente sob pena de falhar o local que pretende visitar.

Chegados ao fundo, é feito o check do grupo, e então, parte-se novamente para os "vôos" pelo fundo.
o Skipper estava informado do tempo exacto em que seria lançada uma bóia de patamar, e portanto, cumprindo esse tempo um dos elementos do grupo préviamente escolhido durante o breefing, fez o seu lançamento.
Resultando em mais um mergulho fantástico onde todos disfrutaram a paisagem e o skipper atento, foi ao encontro do grupo; todos satisfeitos com as "nova forma de mergulhar", cansaço zero!

Mais info relativa à especialidade Drift Diver e Equipamento:

Três tipos básicos de carretos:
Carreto Guia: para fazer percursos subaquáticos, por exemplo em locais com fundo arenoso, onde os pontos de referência são muito poucos. Aquelas "planícies subaquáticas" acessíveis a todo o OWD.

Carreto Guia para Naufrágio/Gruta: garante-lhe o retorno ao ponto inicial, seja este o cabo, ou, o local por onde entrou. (Nota a penetração em naufrágio requer uma especialização própria, bem como o mergulho espeleológico)






De referir que para os casos de penetração em naufrágio por mais simples que possa parecer, bem como entradas em grutas com "G" grande***, é necessário ter formação específica para o efeito; isto, se pretende voltar para contar a história:)

*** (entenda-se por "G grande", grutas cuja profundidade em comprimento, são consideráveis e os acessos à superfície bastante limitados; em muitos casos apenas o ponto de entrada que coincidirá com o de saída. "G grande",não é uma referência a grutas de grandes dimensões espaciais onde praticamente qualquer AOWD ou P2 poderá calmamente visitar essas abóbadas gigantes sem grandes problemas.

Carreto guia/"Multi-usos" com auto-stop:
Dentro dos carretos-guia: existem aqueles que pela sua especificidade e tamanho, servem apenas para este efeito, outros porém, que encontra no mercado bastante simplificados, e económicos incluem um mecanismo mecânico simples que lhe permite fazer sem dificuldade duas coisas: 1) carreto-guia; 2) carreto/spool para lançamento da bóia de patamar.

Escusado será dizer que durante um mergulho, caso opte por usar como carreto-guia, dificilmente terá cabo suficiente para fazer com o mesmo carreto o lançamento da bóia.

Alternativa: se tiver um desses carretos, tenha sempre consigo um spool com outra bóia de patamar junto a si. Em qualquer situação, poderá lança-lo, e deixar o carreto-guia (que normalmente é clipado ao cabo de descida), podendo recupera-lo no fim do mergulho.

Situações em que isto poderá ocorrer: algo bastante simples; fizeram o seu passeio, o carreto está quase no final, e um dos manómetros do grupo de mergulhadores indica que já está na reserva: solução?

Simples, tendo em conta que não é prudente perder o tempo de recolher todo o cabo que foi soltando pelo percurso, simplesmente pousa o carreto no fundo, e, faz o lançamento da bóia;
Assim, a reserva de ar do seu buddy/parelha, deverá chegar para fazer a subida calmamente e o respectivo patamar de segurança.

À superfície, poderá pedir ao seu parceiro(a) distraído, para se entreter a recolher o cabo que ficou solto do carreto como um pequeno lembrete de para a próxima estar mais atento ao manómetro e consumo que faz..

Spool: este peça, não é propriamente a imagem que terá de um carreto, mas é basicamente uma peça que lhe permite fazer o lançamento da bóia de patamar pura e simplesmente.
Em casos de emergência poderia ser colocado como um prolongamento extra do carreto-guia que possuí, mas não é de todo em todo recomendável.

A sua utilização correcta, requer aprendizagem com um profissional da área.

Poderá parecer-lhe fácil, mas onde quantas e quantas vezes não mergulhou com grupos por algum motivo alguém se afastou do cabo que lhe daria acesso directo à embarcação que dá apoio, e, os mergulhadores resolveram fazer subidas em água livre independentemente de terem ou não uma bóia de patamar clipada no seu equipamento?


De facto isto acontece; na maioria dos casos, quem as tem, raramente as utiliza, e como o mergulho se baseia em treino, treino, treino, para quem pretende ser de facto um Mergulhador(a) que sabe o que faz e como deverá proceder nos vários tipos de cenários que lhe podem aparecer.

No entanto por vezes alguns mergulhadores sentem-se inibidos de as utilizar sob pena de causarem piores resultados do que aqueles que a situação em si já lhe traz..porque deixaram pura e simplesmente de treinar a sua utilização...ou pior ainda, fizeram a sua aquisição, mas, não tiveram orientação sobre quais os tipos existentes e como se deverão utilizar.


Outros, utilizam a bóia de patamar "à moda antiga", onde para além de utilizarem bóias de patamar sem válvula de escape, mais baratas (válvula permite que com a subida da bóia e consequente aumento do volume de ar dentro de bóia , possa escapar gradualmente à medida que a subida acontece; resultado: ao chegar a superfície a bóia tem o ar que necessita para permanecer na vertical cumprindo o objectivo para a qual foi concebida; i.e., sinalizar as embarcações e skippers.

Diga-se "á moda antiga" o método de colocar apenas uma pequena chumbeira ou lastro na extremidade de um cabo curto que fica enrolado na dita bóia; escusado será dizer que nem spool, nem carreto, aprenderam utilizar e, nestes casos, apenas serve para lançar mesmo, mesmo próximo da superfície.

Consequências eventuais da utilização da técnica à "moda antiga" e limitações:
1) Lançamento apenas perto da superfície
2) Facilmente poderá perder o fino e curto cabo que está preso à bóia de patamar, resultando numa bóia lançada, e um mergulhador(a) sem sinalização à superfície +, uma bóia solta que poderá resultar numa busca por parte do skipper para um local completamente afastado da localização onde estará o individuo que a lançou.

(Provavelmente não gostaria da sensação de se sentir "abandonado" à superfície", nem o skipper/barqueiro e restantes companheiros de mergulho começarem a preocupar-se com a sua ausência junto à tal bóia que se afastou.)

Com um carreto, estes 2 pontos ficariam resolvidos;
você segura o carreto firmemente, não um cabo de mono-filamento com alguns milímetros de espessura.

3) Na eventualidade de ocorrer um imprevisto no fundo, e necessitar solicitar ajuda que estará na embarcação, este método será o ideal para o fazer?...

Provavelmente não, até porque, como é habitual, o cabo utilizado nestes casos tem apenas alguns metros de comprimento.
Com um carreto, calmamente poderia largar a bóia de patamar do fundo, com o carreto ou spool, e aguardar a chegada de ajuda.



Você tem carreto? Se já o domina (parece simples, mas ás vezes nem tanto o é, consoante o tipo), faça a experiência de o dar ao mergulhador a seu lado, e tente fazer o percurso simples de clipar ao cabo, fazer o mergulho com o carreto e voltar.

Se no final não resultar num emaranhado de cabos, estão ambos de parabéns!

Infelizmente na maioria dos casos, aqueles menos familiarizados com este equipamento, acabam por não usufruir da sua função; guiar o mergulhador durante o seu "passeio" subaquático e permitindo uma volta garantida ao cabo que lhe permitiu iniciar o mergulho.. [Continua]
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Nota: com todos os carretos acima referidos, é possível fazer o lançamento da bóia de patamar. Contudo, isso requer algum treino e perícia, caso contrário o resultado não será garantidamente o esperado.

Carretos sem auto-stop:

3 cenários típicos:

a) esquece-se de destravar o carreto, e inicia uma subida descontrolada.

b) esquece-se de destravar o carreto, inicia a subida, solta-o, e perde o carreto de vista e respectiva bóia.

c) destrava o carreto, mas tem sérias dificuldades em voltar a enrolar todo o cabo que se libertou, aumentando o tempo de fundo, o stress, e... com muito cabo, a bóia lançada não irá ficar vertical na superfície, mas..deitada; ou seja, não cumpre a sua função, pois, deitada não é visível à distância.

Não facilite, se ainda começou agora a usar um carreto, opte pela versão simplificada, ou seja, carreto "auto-stop".

isto caso considere ser um auto-didacta e portanto sem necessidade de ter acompanhamento profissional.
De todo em todo desaconselhável no que diz respeito à Sua Segurança.
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Tuesday, 16 March 2010

O Primeiro Mergulho no U-Boat 1277 em 2010: "O defeso de Inverno" por Miguel Pereira

O defeso de Inverno, este ano, foi muito severo. Muitos dias sem mergulhar. As semanas, umas após as outras, arrastavam-se numa interminável dúvida sobre o aquecimento global. Timidamente, foram aparecendo uns raros rasgos de mar que mais não serviam que para desenjoar e sempre para daqui para fora.

Contas à vida?

Quantas e quantas, todas a perguntarem se daria para apanhar um avião e 20 Kilos de material. “e este Inverno que não nos deixa”, comentava todo aquele que, alheio ao mergulho, não fazia mais que fazer ecoar as palavras dele nas nossas: “e este mar que não acalma”…

Foi pois com perplexidade e entusiasmo reservado que esta terça-feira dia 16 deste nosso mês de Março, aceitei o desafio, graças a esta recente acalmia no estado do mar, que a hora a que escrevo já se foi, de ir dar uma tolada no submarino.

Eram dez horas, quando o patrão do cabinado comunicou com as autoridades portuárias do porto de Leixões a nossa visita submarina. O mar estava calmíssimo. Um lago sereno. Sereno e tão espesso que nos fazia temer pelo sucesso do mergulho. Cabo a baixo, todos a perguntarem a si mesmos se, chegados ao fundo, não seria melhor abortar o mergulho.

A minha primeira impressão, depois de ultrapassados os 25metros e mesmo antes de avistar o nosso anfitrião, numa água fresquinha de 12º-13ºC foi de centenas de pontinhos vermelhos a olharem para mim.

E de repente, lá está ele, li-te-ral-men-te (escrevo-o sílaba a sílaba para que se entenda que não vou escrever usando figuras de estilo) encastrado em caramujos (“nassas”) tal qual um pitoresco altar destas pitorescas igrejas de pescadores.
Já vi artesanato deste teor.

Mas isto era um artesanato vivo pelas mãos desta nossa natureza por vezes tão estranha, por vezes tão bela e por vezes, como é este o caso, as duas.

E depois todos aqueles pontinhos vermelhos, sempre aos pares, pertencentes a camarão. Oh meus amigos! Eu não mergulho assim há tanto tempo, mas eu, pessoalmente, nunca fui recebido por mais camarão do que aquele que estava na mesa dos frios do meu primeiro e segundo casamentos... juntos (podem comentar porque elas dão-se bem :)

Talvez vocês já tenham visto mais... Eu não! E os Santiagos e as solhas.



N.C. Santiago, Cavaco : Scyllaridae Latreille, 1825

Scyllarus arctus **


Video ilustrativo por Ricardo Cordeiro


O nosso submarino era com toda aquela fraca visibilidade de 3/4metros, um salão de banquetes e nós chegamos à hora da festa.

Estivemos de tal forma integrados que os nossos 20 minutos de fama para aquela noite, já tinham sido ultrapassados em quase 2 e com pena nos despedimos deste que foi, sem sombra de dúvida, uma das melhores visitas ao submarino.



Deepstop aos 12m*, patamar obrigatório junto à garrafa suspensa aos 5 metros que partiu muda e chegou calada de novo ao barco tal era o estado de relax destes insuspeitos visitantes que acabaram felizes, contentes e cheios com Heinekens na mão e excelentes hamburguers na boca.


Sem dúvida, um mergulho memorável. A tomar nota para futuros visitantes: o nosso submarino está cheio de redes emaranhadas, e talvez, a abundância destas e de peixe aprisionado nestas, explique a descomunal presença de caramujo e de camarão.


Os maiores habitantes e residentes do submarino: Congros


N.C: Lavagante: Homarus gammarus (Linnaeus, 1758)
N.C. Anémona-do-mar ou actínia Actinothoe sphyrodeta (Gosse, 1858)
* Perfil de Mergulho:













DIVE LOG por MIGUEL PEREIRA
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fica um agradecimento a Marco Santos pela cedência destas fantásticas imagens que tão bem ilustram a fauna característica do submarino U-1277.

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REPRODUCTIVE BIOLOGY OF THE SLIPPER LOBSTER SCYLLARIDES DECEPTOR HOLTHUIS, 1963 (DECAPODA: SCYLLARIDAE) IN THE SUBTROPICAL SOUTHERN BRAZILIAN COAST

Referência da página:

http://www.pluridoc.com/Site/FrontOffice/default.aspx?Module=Files/FileDescription&ID=959〈=pt

Wednesday, 3 February 2010

Scuba Tune up & Try Out | Sessão de Treino 2 Feb 2010

Este fim-de-semana passado, compensando a duração do Inverno extra longo que nos tem vindo a acompanhar, fizemos mais uma sessão de treino onde se treinou mais um pouco.
Flutuabilidade, skills, e, teste de equipamentos novos.



Nada como rever em ambiente confinado aqueles pequenos pormenores que podem passar "esquecidos" a nível de procedimentos, bem como "afinar" (tune up) pontos essenciais como a flutuabilidade.

Porque afinal de contas, é essencial manter a prática em dia.

Em apenas duas horas do seu tempo, na cuba de 5 metros com água tépida...enfim, um ambiente ideal para o efeito sem direito a arrepios.

Thursday, 27 August 2009

Mergulho Técnico : Naufrágio - Selir
























Numa manha de mar calmo e bom tempo, fizemos rumo ao Kassamba. Ao chegar ao local encontramos um barco de pesca à linha no local e para não perturbar estes profissionais,
optamos por fazer mais uns minutos de caminho e seguir para o local do Selir.
Os gases que tinhamos previsto adaptavam-se quer a um naufrágio quer ou outro e a
adaptação do plano foi muito fácil :
- gases de fundo 15/55 (bis e stage)
- deco : 50% + O2

Quase não se notava corrente significativa ao descermos pelo cabo, e a luz do dia rapidamente começa a desaparecer a partir dos -30m. Embora escuro a visibilidade não estava má - cerca de 5m. O Skipper tinha deixado o ferro mesmo no convés e a navegação à volta desta zona do naufrágio foi bastante fácil.
Mais dificil for domar a câmara de vídeo que estava fixa à scooter e que estava demasiado negativa o que dificultou o passeio e o video.
Um bom mergulho de introdução, onde todos ficamos com vontade de voltar e explorar melhor a estrutura do Selir.

Por: Ricardo Constantino

Friday, 15 August 2008

Dago e Dago II

Após alguma atribulação de vai e não vai, atendendo que a previsão do mar não era das melhores, lá acabei finalmente por obter a confirmação do Artur de que realmente iria poder satisfazer a minha vontade em mergulhar novamente no Dago. E, conforme combinado, lá fui eu e o Casimiro por essa estrada abaixo para nos encontrarmos em Peniche. 15/08/2008
Após prepararmos o material e verificar se tudo estava bem, zarpamos em direcção ao tão desejado “spot”, para efectuar um mergulho de 30min a uma profundidade média de 48m e 46min de DECO. Uma vez lá chegados, estavam pescadores sobre o naufrágio, que nos impossibilitaram o mergulho. Assim, fomos forçados a ir visitar um outro navio, que pela proximidade e se encontrar nas mesmas cotas, se chama Dago II. Seguindo as verificações da praxe, juntamo-nos junto ao cabo da âncora, Eu e o Casimiro primeiro e logo de seguida o Artur.












Com uma visibilidade em torno dos 15m, fomos descendo na ânsia de chegar ao fundo, não esquecendo evidentemente de fazer uma paragem de controlo aos 6 e 30m. Passada a barreira dos 30m, já se vislumbrava os destroços da embarcação, e na medida da aproximação, fui vendo as várias chapas, umas caldeiras, o enorme veio de transmissão e a sua respectiva hélice, entre outras peças diversas. Quanto à vida marinha, vi alguns Safios metidos nos vários buracos, um enorme nas imediações do hélice, digamos que bastante grande ! Um lavagante e umas santolinhas. Claro está, que 30min embora pareça muito, sabe sempre a pouco, portanto regressamos ao cabo para começar a fatídica descompressão já a pensar na próxima “aventura”. Acreditem, mesmo com fato seco, uma temperatura de fundo de 13º e de superfície de 17º e tanto tempo de DECO tornam-se bastante desconfortáveis!

Manuel Silveira










Nota importante a todos os "Tek´s" por Artur Lagoá:

Neste mergulho, houve a necessidade de alugar uma deco, que por "inocência" na altura, pensei que viria com o respectivo regulador. No vai não vai, toca a  ir buscar um regulador de reserva, retirar mangueiras, um corre-corre para não atrasar a saída.
Durante a deco, para grande surpresa, ao abrir a garrafa de deco já pressurizada, é que de repente saí uma núvem de bolhas; fecha a torneira, volta abrir, a mesma coisa... Á superfície não foi detectada esta falha, coma  pressurização rápida da garrafa de deco;
sem deco, o gás de reserva nas bis ainda que respeitando a regra dos terços, não permitia fazer a descompressão na totalidade.
A única opção possível, seria tirar um dos reguladores das bis em pleno azul, e montar na deco, ou, fazer partilha de gás com um dos buddies, o que em descompressão cada um é responsável pelos seu gás para não pôr em causa a descompressão e segurança dos nossos buddies. Felizmente todos levamos decos S080 que nos permitiam quase 12L de gás de descompressão acelerada. O frio das águas já se tinha instaladado, ao ponto de passado 2 dias ainda estar uma das mãos doridas de estar a segurar o cabo.O frio, também não favorecia grandes manobras de montagem e remontagem, e não seria nada simpático ou agradável a visão de ver um regulador a cair pelo azul até ao Dago, já nem pensando apenas na perda de material, mas antes na perda de uma peça que poderia ser fundamental para o mergulho.

O Casimiro teve a cortesia de partilhar o seu gás de deco, que posteriormente e em caso de necessidade poderíamos usar o seu regulador da deco, para colocar na minha deco alugada.

Resumindo e mea culpa:
Mergulho técnico, deve ser feito com o nosso próprio material.
Pressas ficam fora do Mergulho Técnico: Verificar e Reverificar o equipamento e material com toda a calma a precisão.
Verificar e Recalcular planos de Mergulho Iguais para Todos os Mergulhadores do Grupo, com as mesmas misturas incluíndo para a descompressão acelerada, nomeadamente 2/3 planos por contingência e sem esquecer o "pior cenário".
Verificar sempre a troca de gás do buddy, para evitar enganos na troca de gás descompressivo /ou gás de fundo; isto ainda mais importante é, quando se utilizam várias misturas.
Ter sempre os buddy´s dentro do campo de visão, para que mantenham as profundidades permitidas pelas misturas descompressivas e cumpram o calendário descompressivo do plano pré-estabelecido ao minuto.

Por essas e por outras, nas saídas de mergulho técnico que ADNG passou a fazer no Norte do País ter sempre um ou mais mergulhadores de apoio, equipado com as mesmas misturas que o grupo utilizará, independentemente de ser um mergulho aos 50, 60, 70, etc.
O Grupo que faz o mergulho poderá estar mais sossegado, pois sabe que a meio caminho estará alguém com mais gás disponível, apto a resolver uma situação de emergência ou simples desconforto, tornando o mergulho e a respectiva descompressão, bem mais tranquilizantes para todos. Esse(s) mergulhadores de apoio, não estiveram sujeitos à mesma profundidade que o grupo, e como tal, têm uma margem de manobra bastante superior para ajudar qualquer um dos mergulhadores.

Optar por não ter Mergulhador(es) de Apoio, num mergulho técnico a qualquer profundidade ou tempo de fundo, é um risco desnecessário.